Publicado em Portugal, “Pérola”, romance escrito por Arlete Castro, preletora confirmada do Encontro Sepal 2020, traz uma eloquente mensagem pela luta a favor dos Direitos Humanos 


Por Cleiton Oliveira

Missionária da Sepal desde 2008, mestre em Relação de Ajuda em Intervenção Terapêutica, pedagoga e psicóloga, Arlete Castro é uma voz audível no combate à violência sexual e às agressões físicas e psicológicas. Há 27 anos em Portugal, ela e seu marido, Luiz Castro, têm atuado no apoio aos pastores e líderes portugueses, na plantação de igrejas e em ações do “Pit Stop”, ministério voltado ao cuidado integral de missionários transculturais que precisam de um tempo de descanso, encorajamento e acompanhamento psicológico e pastoral. Arlete marcará presença no Encontro Sepal 2020 e falará sobre temas relacionados à saúde emocional de quem se dedica ao ministério.

Autora de diversos livros, personalidade ativa na conscientização em torno da importância da denúncia contra todo tipo de abuso, Arlete tem como missão transmitir uma mensagem de esperança e restauração às pessoas que possuem feridas no corpo e na mente. Assim, escreveu “Pérola”, um emocionante romance baseado em fatos reais em que compartilha uma história de dor e superação, propondo um ponto de mudança para quem já sofreu maus-tratos e a todos que desejam acabar com esses crimes assustadoramente comuns.

Em entrevista à Sepal, a missionária conta detalhes da publicação, fala sobre a importância da obra para os pastores e líderes e deixa uma mensagem aos leitores, especialmente a quem já sofreu alguma forma de abuso. Confira o bate-papo e prepare-se para estar conosco no Encontro Sepal 2020, de 12 a 15 de maio, em Águas de Lindoia, SP!

Sepal: “Pérola”. Sobre quais assuntos o livro trata?

Arlete Castro: O livro é inspirado na história de uma mulher que sofreu várias formas de abuso, tanto emocional quanto físico, durante a infância e a adolescência. Escrito em terceira pessoa, a construção do texto ganha vida com cenários, diálogos e reflexões. O livro é leve, apesar do tema. Ele retrata o encontro de “Pérola” consigo, com suas dores e, acima de tudo, com Deus.

A quem ele é indicado?

A todos nós que somos responsáveis por proteger e cuidar. Ele é indicado também para as pessoas que, de alguma forma, têm sofrido abuso, pois mostra caminhos de cura e restauração.

Como surgiu a ideia de escrever a obra?

A ideia partiu de um convite feito por “Pérola”, a pessoa que inspirou o enredo. Ela já tinha o seu relato escrito em primeira pessoa. Assim, por conhecer o meu trabalho, me convidou para reelaborar a escrita.

A história é baseada em fatos reais. Quais foram os desafios enfrentados ao retratá-la no papel?

Algumas vezes, a dor dos acontecimentos me fez parar e respirar. As lágrimas vieram aos meus olhos em diversas ocasiões. O desafio foi tornar a história leve sem prejudicar o conteúdo. Com base na experiência de “Pérola”, também transmito uma mensagem de esperança e de cura às pessoas que passaram ou passam pelo mesmo trauma.

Rejeição, abandono, maus-tratos e abuso são algumas das duras experiências vividas pela personagem principal. O que você diria ao leitor que, assim como ela, lida com essas tristes realidades no dia a dia?

Há esperança! No caso de “Pérola”, o encontro consigo, com a dimensão de sua dor e dos seus silêncios foi necessário, mas o encontro com o Deus curador e consolador transformou sua trajetória. Por isso, a mensagem é de convicção de que há caminhos de cura.

De que forma o livro se torna leitura indicada a pastores, líderes de ministérios, professores, pais, mães e aos leitores em geral? Quais insights ele traz, os quais podem ajudar-nos a perceber possíveis sinais de que algo não anda bem com um parente, alguém da comunidade e/ou do círculo de amizades?

Muitas vezes, os indícios de que algo não está bem passam pelo silêncio, medo e falta de abertura. Eles também passam pela rebeldia, ira, dificuldade de sujeitar-se a Deus e à autoridade. Dessa forma, líderes e pastores devem estar atentos.

Por outro lado, porém, é preciso ter coragem para fazer as denúncias necessárias. Chega de omissão! Chega de camuflar acontecimentos com o propósito de proteger a denominação ou a reputação de líderes. É tempo de buscar ajuda, seja profissional ou terapêutica, tanto para as vítimas quanto para os abusadores. É tempo de acordar para uma realidade que pode estar muito perto de nós e dentro de nossas igrejas, famílias e relacionamentos.

Onde o livro está sendo comercializado? Há alguma perspectiva de lançamento no Brasil?

“Pérola” está sendo vendido no Brasil pela loja virtual da Sepal. Gostaríamos de lançá-lo no Brasil. “Pérola” e eu temos visitado diversas regiões de Portugal divulgando o Projeto de Proteção ao Abuso Sexual. Ela dá palestras nas escolas, de forma lúdica, despertando não só as crianças, mas também os pais e professores para a necessidade da proteção dos pequenos no que diz respeito ao assunto.

Uma mensagem aos nossos leitores, especialmente a quem é ou já foi vítima de maus-tratos, assim como “Pérola”.

Não fique em silêncio. Busque ajuda, grite bem alto e denuncie. A vergonha não é sua, mas daqueles que abafam os casos e tornam-se coniventes com tais atos. Lembre-se: Há esperança! •

Saiba mais!

O Encontro Sepal 2020 acontecerá entre os dias 12 e 15 de maio, em Águas de Lindoia (SP). Clique aqui e faça já a sua inscrição antecipada com desconto especial!

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