Veja a continuação do texto de Josué Gonçalves, preletor do Encontro Sepal 2020, escrito em seu livro“Família Indestrutível”


Josué Gonçalves, pastor, escritor, conferencista, fundador e presidente do Projeto Família Debaixo da Graça, é preletor confirmado do Encontro Sepal 2020. No evento, Josué falará sobre o tema: “Lidando com as feridas do adultério”, e compartilhará informações preciosas para que pastores e líderes não somente evitem a armadilha da infidelidade conjugal mas também saibam ajudar quem está vivenciando essa experiência dolorosa e delicada.

Leia um trecho do livro Família Indestrutível, gentilmente cedido pela Editora Mundo Cristão. No texto, Josué fala sobre os perigos sutis que podem sobrevir a qualquer pessoa no que diz respeito à vida conjugal e dá dicas para que os leitores se mantenham alertas no dia a dia. Leia, compartilhe e prepare-se para o Encontro!

Para ler a primeira parte do texto “Vigilância contra o adultério”, clique aqui. 


O que você deve fazer para vencer a tentação de se envolver com outra pessoa, evitando a destruição do seu relacionamento conjugal? Como se livrar de alguém que, de repente, começa a provocá-lo, como aconteceu com José, no Egito? Tome extremo cuidado com o excesso de autoconfiança. Nunca diga: “Comigo isso nunca vai acontecer”. A autoconfiança foi a causa do fracasso de Pedro diante da tentação de negar a Jesus (Mt 26.33-34). Consciente de que ninguém está livre dessa possibilidade, devemos orar sempre: “Senhor, nunca deixe faltar temor em nosso coração e ensina-nos a viver com sabedoria e prudência”.

Nunca brinque na “zona de perigo”. A queda de Sansão é a história de um homem que brincou de flertar com o pecado (Jz 16.1-31). Todas as pessoas que cederam à tentação e praticaram o adultério cometeram o mesmo erro que ele, ou seja, brincaram onde e com quem não deviam. Se a carne é fraca, todo cuidado é pouco. Sempre preste contas ao seu cônjuge. A Bíblia diz que devemos confessar nossas culpas uns aos outros (Tg 5.16); é necessário que o companheiro saiba o que está acontecendo na vida do outro. Uma vida não supervisionada não é vivida com responsabilidade. Todos devemos estar conscientes de que precisamos responder a alguém sobre os nossos atos.

“Uma vida não supervisionada não é vivida com responsabilidade. Todos devemos estar conscientes de que precisamos responder a alguém sobre os nossos atos.”

Quando perceber algum sinal de perigo, peça ajuda. O casal precisa construir uma relação com base na verdade (Pv 10.9) para que, quando vier a tentação, um tenha confiança no outro para abrir o coração e buscar ajuda. Há situações na vida em que é impossível vencer sozinho. Quando o cônjuge procura ser um agente de cura para o companheiro, o resultado final é a vitória sobre a tentação de pecar.

Hoje se faz necessário não só um preparo teológico e prático como também o estudo sistemático de outras ciências humanas e a compreensão dos valores e caminhos que a sociedade pós-moderna tem adotado.

Cultive o seu casamento como se faz com um jardim. Não se pode negligenciar o matrimônio e esperar que ele por si só floresça e frutifique. Invista no seu relacionamento conjugal, dê a ele a atenção necessária. Jamais descuide das barreiras de proteção que devem estar em torno do seu casamento. Não confie no cônjuge a ponto de achar que ele está imune ao pecado do adultério.

A sua confiança no cônjuge deve ser inteligente, equilibrada e sensata. Confiar não significa ver o outro como um anjo incapaz de pecar só porque é uma pessoa seriamente comprometida com Deus. Por mais que o seu cônjuge seja sério e espiritual, ajude-o a não pecar. Já aconselhei casais que caíram em pecado porque não foram criteriosos em relação a quem deveriam receber como “amigos” dentro de casa ou até mesmo porque não foram cuidadosos com quem eles se relacionavam.

Quem ama não tem ciúme doentio, mas sabe cuidar, protegendo muito bem a pessoa amada. A esposa deve ajudar o marido a enxergar o que muitas vezes ele não percebe e que, no futuro, pode se tornar um grande problema. O marido deve fazer o mesmo. Ao perceber qualquer comportamento estranho do cônjuge, não tenha medo de confrontá-lo. A verdade não tem medo da luz. Pessoas responsáveis respondem a perguntas difíceis sobre os seus atos. A confrontação quase sempre provoca tensão, mas é o melhor caminho para livrar o outro de um tropeço moral, que, em geral, torna- se  fatal no relacionamento.

“A confrontação quase sempre provoca tensão, mas é o melhor caminho para livrar o outro de um tropeço moral, que, em geral, torna- se  fatal no relacionamento.”

Muitos casamentos teriam sido salvos se o cônjuge tivesse confrontado o outro, a fim de livrá-lo do pior. Infelizmente, na maioria das vezes em que ocorre um adultério, só depois que tudo vem à tona é que o cônjuge diz: “Bem que eu notei, vi, percebi, desconfiei… Mas não tive coragem de perguntar, de ir atrás, de buscar a verdade”. Lembre-se: é sempre mais fácil vencer a tentação quando o processo está no início.

Cuidado com a Internet. De todos os avanços tecnológicos de nossos dias, essa é uma das mais impressionantes invenções do homem. A Internet foi um fator determinante para a globalização, pois tudo passa por essa rede virtual fantástica. Porém, quando esse meio de comunicação é usado para o mal, o prejuízo é tão grande ou maior quanto os benefícios que proporciona. O número de crianças, adolescentes, jovens e casais que estão se perdendo por causa das redes sociais e outras ferramentas é assustador. Quando se trata de Internet, é preciso tomar muito cuidado para não usar de forma errada esse instrumento tão poderoso.

O melhor lugar para se ter um computador em casa é na sala ou em um espaço onde o marido supervisione a esposa e vice-versa. Conheci um homem casado que, não conseguindo vencer a tentação de visitar páginas impróprias na Internet, decidiu falar sobre isso com a esposa. Os dois acabaram tomando uma atitude radical: sempre que ele precisasse, ela acessaria a Internet junto com ele, pois, assim, a esposa, que não tinha esse problema, o ajudaria a vencer a tentação de conviver com aquilo que poderia destruir o casamento deles. 

Fonte: Gonçalves, Josué. Família Indestrutível. 1ª Edição. São Paulo – SP: Editora Mundo Cristão, Pgs 81-84. Conteúdo publicado com autorização.

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