Em artigo exclusivo para o blogue do Encontro Sepal 2020, Cassiano Luz, preletor confirmado, fala sobre a importância da proclamação do evangelho aos povos minoritários


Por Cassiano Luz

Povos minoritários tem sido um termo empregado em referência aos grupos menos evangelizados no Brasil. São segmentos étnicos e socioculturais que possuem a sua própria forma de pensar e viver, que os diferenciam do restante da população.

Ao abordarmos o tema dos relacionamentos e da reciprocidade no Encontro Sepal 2020, não podemos deixar de pensar nos excluídos, nos não alcançados, e avançarmos na contramão de uma cultura que tem desvalorizado e relegado esses grupos de pessoas ao esquecimento.

A narrativa bíblica começa e termina trazendo-nos à memória a nossa identidade humana. Porém, enquanto no casal original éramos uma só língua e cultura, diante do trono do Cordeiro, em Apocalipse 7, somos uma multidão inumerável e heterogênea.  A cena apoteótica não fala em indivíduos, mas em “povos, tribos, línguas e nações”. O processo que os levará até o trono é nossa tarefa como igreja, e a adoração que ali será prestada ao Rei dos reis, o motivo da nossa existência. Somos os responsáveis por revelar o Reino de Deus e “fazer discípulos de todas as nações”.

O termo traduzido como “nações” em Mt 28.19 não se refere ao conceito moderno de “países” como o conhecemos, mas a grupos culturalmente homogêneos, independente de sua densidade populacional, localização, poder militar ou econômico. Essa responsabilidade vem também impreterivelmente acompanhada da necessidade de usarmos estratégias específicas e especializadas para comunicar o evangelho a cada cultura distinta. Um imperativo que se aplica não apenas às diferentes etnias, mas também aos segmentos, inclusive urbanos, que herdaram ou desenvolvem seus próprios códigos culturais.

Reconhecemos, hoje, oito segmentos minoritários menos evangelizados no Brasil, apesar de não ser esta uma lista estática ou exaustiva. Segundo dados do Departamento de Pesquisas da Associação de Missões Transculturais Brasileiras AMTB, temos mais de 800 mil indígenas, divididos em 228 etnias indígenas oficialmente reconhecidas, podendo chegar a 340, considerando-se os subgrupos. Cerca de 115 delas têm pouco ou nenhum conhecimento de Jesus Cristo.

Aproximadamente um milhão de ciganos, com menos de 1% alcançados pelo evangelho. Mais de 3 mil comunidades quilombolas oficialmente reconhecidas, podendo chegar a mais de 5 mil em todo o Brasil, das quais cerca de 2 mil acreditamos não ter a presença da Igreja. 35 mil comunidades ribeirinhas na Amazônia, das quais cerca de 10 mil não têm conhecimento do evangelho, assim como cerca de 6 mil assentamentos na zona rural sertaneja. Aproximadamente 10 milhões de surdos e ainda poucos ministérios dedicados a eles, apesar da maior atenção recentemente dada a esse segmento.

Segundo dados da Polícia Federal e da ACNUR, temos cerca de 750 mil imigrantes no Brasil, vindos de mais de uma centena de países, entre os quais cerca de 11 mil são refugiados, deslocados por motivos de perseguição religiosa, política ou por graves crises humanitárias.

Como igreja brasileira, somos chamados a proclamar intencionalmente o evangelho a esses grupos, de modo que o Reino de Deus transforme suas realidades, desde agora até o dia em que estaremos juntos, perante o trono, adorando o Cordeiro Jesus.•

Fontes:

ACNUR. Dados sobre Refúgio no Brasil. Disponível em <https://www.acnur.org/portugues/dados-sobre-refugio/dados-sobre-refugio-no-brasil/> Acesso em 8/12/2019

COMIBAM. Chegando aos menos evangelizados do Brasil. Disponível em <https://www.comibam.org/pt/chegando-aos-menos-evangelizados-do-brasil/> Acesso em 8/12/2019

www.pesquisasamtb.org.br

www.quilombolas.org.br

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