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Encontro Sepal Online 2020 | Servindo Pastores e Líderes | 24 a 26 de setembro

Coleta e uso de dados: o que isso revela sobre as igrejas?

Por Riziely Herrera e Phelipe Reis

O segundo dia do Encontro Sepal 2020, começou com diversas palestras. Entre os temas, a advogada Ivanice Cardoso abordou a questão da coleta e uso de dados no âmbito das igrejas locais. Cardoso, que é especialista em direito de imagem e segurança no comportamento digital, nos lembra da responsabilidade que temos diante das benesses que a tecnologia nos proporciona e como devemos usar as conexões online e offline.

Pense num quartinho da casa que é o lugar em que se acumula tudo, “o quarto de bagunça da vovó”. Lá guardamos um pouco de tudo, elementos emocionalmente importantes e coisas que achamos que um dia podemos usar. É com esta cena que Ivanice ilustra como estava caminhando o mundo cibernético, até que o cenário começou a mudar, pois com o fluxo intenso de informação na internet se tornou necessário arrumar a bagunça cibernética.

Regras e orientações para lidar com a quantidade de informações são fundamentais. Foi, então, que a área jurídica iniciou um importante movimento de regulamentação de dados no Brasil, a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPB).

O que a igreja tem a ver com isso?

Dados são elementos e informações que identificam uma pessoa ou a tornam identificável. Cardoso comenta que dados sensíveis podem identificar a alma. Na igreja, lidamos com um intenso fluxo de informações pessoais dos membros para diversos projetos e ações. Por isso alguns elementos são importantes na hora de tomar decisões sobre uso de dados: ética (aquilo que eu posso, mas será que eu devo? Decisões líquidas sem pensar na coletividade), testemunho (reputação, o que produzo mostra o que é a igreja ) e resultado.

A orientação legal para as igrejas, é que a instituição só guarde os dados essenciais, que cumpram ou contribuam efetivamente para o relacionamento entre a pessoa e a instituição. Por isso, é preciso pensar no conceito “menos é mais” e parar de acúmulo de informações desnecessárias, que podem prejudicar pessoas, como é o caso de dados de menores de idade.

Dados ou relacionamentos

Que conexão a igreja quer criar com as pessoas? Conexões baseadas em dados e informações ou conexões baseadas em relacionamentos? Ivanice explica que: “Em um espaço em que confiança são basilares, lidar de forma responsável com a questão da privacidade é servir ao reino com inteligência digital, pois sem confiança não estabelecemos relacionamentos significativos.”

Quando a liderança tem a necessidade de um grande controle através das informações da membresia, isso pode significar o descontrole da própria liderança. O foco do trabalho na igreja deve levar ao serviço, não ao controle. É preciso muito cuidado para que a liderança não use informações para atingir pessoas no coletivo. É uma questão de ética e respeito.

3 dados que realmente importam para as igrejas

  1. Os dados que servem para a membresia. Mas se não for importante agora, não deve ser armazenada ou coletada.
  2. Os dados que importam no fortalecimento de relacionamentos. Dados de aconselhamento, por exemplo, precisam de técnicas que protejam a privacidade destas informações.
  3. Os dados que organizam a igreja, por projetos ou finalidades específicas, e os dados que a igreja tem obrigação legal de ter, como por exemplo o CPF de quem é dizimista. Lembre de não acumular informações desnecessárias.

Ivanice pontua que estar no ciberespaço exige intencionalidade, tomando a tecnologia como uma ferramenta para o serviço, abrangendo aplicativos, sistemas de segurança, empresa de limpeza, voluntários, etc. “Não é só ter um bom aplicativo que fará que a igreja esteja adequada, mas um procedimento, uma mudança de paradigma na organização da igreja. A lei não regulamenta apenas o que está no ciberespaço, mas também nos formulários de papel por exemplo.”, destaca a especialista.

Como o uso de dados pode ajudar no testemunho da igreja

A preocupação das igrejas em se adequarem às leis revela a reputação e o testemunho das organizações perante a sociedade. A política de privacidade diz muito a respeito do DNA das igrejas. Então, o que as igrejas podem fazer para terem um bom testemunho nesta área de coleta e uso de dados?

Criar um comitê que irá organizador a custódia e uso de dados. De preferência alguém que conheça a área jurídica e tecnologias para coordenar. Não necessariamente um contratado, mas um responsável que conheça da área no comitê.

Relacionar todas as formas de uso de dados na igreja (um mapa de dados). Muita atenção aos dados financeiros da membresia e dados dos menores de idade.

Definir estratégias de relacionamento com os membros.

Frases

“É melhor ser referência de diligência no meio das incertezas do que imprudente por segurança” I.C.

“Sem confiança não estabelecemos relacionamentos significativos.” I.C.

“Estamos usando os dados para servir, ou o elemento que mais anima como líder é o controle?” I.C.

“O DNA da igreja não é controlar, é o serviço.” I.C.

“A igreja está no ponto mais crítico da Lei. Se não se adequar, colocará a membresia objetivamente em risco e a instituição em ilegalidade.” I.C.

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